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De todas as coisas que sofri ao perder, contando os meus dentes de leite, o ursinho de coelho com uma orelha mal costurada, meu batom rosa florescente que ganhei aos 13 anos, a chupeta que ganhei aos 7 meses, meu celular na festa de calouros da faculdade.
Você é o que eu mais sinto falta.
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Depois da sua partida até os objetos resolveram se fantasiar de você.
Seus olhos castanhos estão nos vasos Chineses do período Hongwu que minha avó me presenteou no natal.
A cinzelada silhueta do seu corpo está perfeitamente desenhada no castiçal de vidro que compramos naquela feira de bazar em Veneza ao lado da Ponte de Rialto.
Por alguns instantes as chamas da lareira da sala de estar esboçou os rascunhos de sua clavícula.
Pude ver de relance, perdoe-me o delírio, no sabonete do banheiro a exata e milimétrica forma de seus lábios.
[Por minutos senti o gosto de sabão na boca]
Você está lá, cá, ali, aqui, ai. Em todos os advérbios de lugares.